Argumentos
É necessário procurar os argumentos ou razões que apresentam a favor das suas ideias. Um argumento é muito diferente de uma simples afirmação. Uma afirmação ou proposição não nos dá qualquer razão para a aceitarmos; limita-se a declarar algo que pode ser verdadeiro ou falso (ainda que ninguém saiba se é verdadeiro ou falso). Eis alguns exemplos de afirmações:
O livre-arbítrio é uma ilusão.
A ética é relativa à sociedade.
Não é possível definir a arte.
Como se vê, podemos concordar ou discordar destas afirmações; mas as próprias afirmações não oferecem qualquer razão para as aceitarmos. As afirmações contrastam com os argumentos:Um argumento é um conjunto de afirmações de tal modo organizadas que se pretende sustentar uma delas (a conclusão) recorrendo às outras (as premissas). Eis um exemplo de um argumento:
1.A ciência mostra-nos que, à exceção do mundo atômico, tudo está causalmente determinado.
2.Se tudo está causalmente determinado, não pode haver livre-arbítrio.
3.Logo, não há livre-arbítrio.
As afirmações 1 e 2 são as premissas; a afirmação 3 é a conclusão. Os argumentos, ao contrário das premissas e conclusões, não são verdadeiros nem falsos. Os argumentos são válidos ou inválidos. Um argumento é válido quando é impossível, ou muitíssimo improvável, que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Isto significa que quando um argumento é válido não podemos aceitar as premissas e rejeitar a conclusão. Mas quando um argumento é inválido podemos aceitar as premissas e recusar a conclusão.
Não basta, contudo, que um argumento seja válido para ser bom. É preciso que seja também sólido: Um argumento sólido é um argumento válido com premissas verdadeiras. Um argumento sólido não pode ter conclusão falsa. Isto significa que, se estamos perante um argumento sólido, temos de aceitar a sua conclusão.
Não basta, contudo, que um argumento seja sólido para ser bom. É preciso que, além de sólido, tenha premissas mais plausíveis do que a sua conclusão. Assim, para argumentar corretamente, é necessário usar argumentos sólidos com premissas mais plausíveis do que a conclusão. Quando as premissas não são mais plausíveis do que a conclusão, quem não concorda com a conclusão também não irá concordar com as premissas. É por isso que alguns argumentos sólidos não são bons. Por exemplo, o seguinte argumento não é bom, mesmo que seja sólido, porque as suas premissas não são mais plausíveis do que a sua conclusão:
Se Deus existe, a vida faz sentido.
Deus existe.Logo, a vida faz sentido.
Neste caso, as premissas não oferecem boas razões para aceitar a conclusão, pois aquelas são, no mínimo, tão discutíveis como esta. Assim, é difícil fazer alguém aceitar a conclusão com base em premissas que suscitam tão grande discussão. A força de um argumento nunca é superior à força da mais discutível das suas premissas.
Um argumento bom ou forte obedece a três condições:
1. É válido;
2. É sólido;
3. Tem premissas mais plausíveis do que a conclusão.
Assim, ao discutir os argumentos filosóficos ou dos filósofos é necessário não apenas saber se os seus argumentos são válidos, mas também se partem de premissas plausíveis — mais plausíveis do que a conclusão a que desejam chegar.
Fonte: http://dmurcho.com/docs/fieu.ppsx
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